
“Essa solidão de verão me fez crescer, amadurecer, virar mulher. Na falta do que fazer, corrigi meus erros, refiz acertos, joguei fora tudo que sobrou na organização do lugar. Sobrou espaço, pois pouco me interessou e outro pouco não quis ficar. Joguei o que podia e até o que não queria sem medo de me arrepender. Foram só alguns dias, mas teve que ser desse jeito. Muita coisa esta diferente, palavras esqueci, fotos apaguei, mensagens eu não li, outro resto só ignorei. As cartas estão no lixo, os emails deletei, a porta eu não abri e sem querer deixei o telefone ali tocar até se calar de cansaço. Sei que não me reconhece, outrora olhei-me no espelho e admirada encarei a nova eu em minha frente. Tão mais corajosa, mais ousada, mais […] compatível comigo mesma. Confesso que sorri orgulhosa, não por ter mudado, mas por ter esfriado assim de forma tão fácil. E sem querer me acostumei com isso, de não ligar, ouvir e simplesmente silenciar ao responder. As vezes até me tranco, ando por ai de olhos abertos e ao menos tempo fechados para mundo. É estranho, incomum […], mas até os pacientes se cansam de esperar. E chegou minha hora, cansei também. Do que? Não sei, quem sabe um dia eu descubra, quem sabe viva sem saber. O importante é que estou aqui, mesmo sem estar, mesmo sem prestar. Eu estou aqui, dessa vez por mim e por ninguém mais.“ — Cintia (Hey! I Love)